quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Oficina de percussão amplia sensibilidade artística de moradores de assentamento rural

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“Que é que tu tem, Zé?” A frase inicial da matéria pode soar estranha, mas para os participantes da oficina de percussão de Maracatu de Baque Virado do Assentamento Manueto Lavor, a 48 km de Petrolina, ela soou como um verdadeiro guia, ditado pelo ministrante da capacitação, o músico Gilson Lúcio, ao ensinar o compasso das batidas.
Seja na alfaia, na caixa, ou em qualquer instrumento de uma das manifestações culturais mais conhecidas e características do estado, a frase dita os batuques e busca educar ouvidos. É preciso disciplina para compreender o significado dos ritmos, assim como perda de inibição para mostrar o próprio talento. O grupo participante da qualificação, inicialmente, foi composto por 16 jovens na faixa etária dos 14 aos 25 anos, mas o som contagiante da expressão logo despertou o restante da comunidade e muitas crianças se animaram para também aprender a batucada.

“É muito bom participar. Espero que nosso grupo permaneça unido e que a gente consiga fazer um espetáculo bonito”, comenta Tamires Borges. A estudante de 18 anos sempre morou na comunidade e trouxe detalhes da história da região. “O terreno foi ocupado por trabalhadores rurais há cerca de doze anos. O nome Mansueto Lavor pertencia a um senador que, na época, fez oposição aos Coelhos, uma tradicional família de políticos”, revela.

100 famílias habitam o assentamento e encontram representação para lutar em busca de seus direitos por meio da Associação dos Agricultores do Assentamento Mansueto Lavor. Para ocupar o terreno, os militantes contaram com o apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco, FETAPE, e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina.
70% de seus moradores produzem alimentação que é vendida para cidades vizinhas e também para a capital. “Goiaba, manga, uva, maracujá, macaxeira, batata. Quase todo dia saem duas ou três carradas de mercadorias cultivadas aqui mesmo”, declara Jorge Lima dos Santos, líder da Associação. Além de Mansueto, o território de Petrolina integra outras comunidades, como São José do Vale, São Francisco José Ramos e Alto da Areia. A mais velha, Poço do Angico, existe há mais de vinte anos. Todas elas estão espalhadas nos diferentes distritos do município.

DESCENTRALIZAÇÃO – Seguindo a proposta de levar ações para locais além do eixo central, o Festival Pernambuco Nação Cultural Sertão do São Francisco continua até o final de semana promovendo atividades de cunho profissionalizante, artístico e cultural.

Fonte: Fundarpe

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